POR QUE APOIO LULA


Primeiro é preciso esclarecer que meu apoio a LULA é como uma gota d'água. Mas uma gota d'água, mais outra e outra, somam centenas, milhares, milhões e podem se transformar em um oceano ou uma enchente amazônica, como diz a canção do Chico. Isso é o que causa pavor nesta elite retrógrada que domina o Brasil há centenas de anos.

Essa elite se erigiu em cima de mentiras e hipocrisia. O Brasil foi conquistado a ferro e fogo, não foi descoberto. Aqui habitavam milhões de PESSOAS, com identidades e integrantes de sociedades definidas, com nome, cultura e tradições, as quais, no afã de serem descaracterizadas, foram denominadas genericamente de índios. Esses "índios" foram dizimados, massacrados, violados, escravizados e expulsos de suas terras. Nossa história nunca contará toda a verdade sobre este processo. Sobre essa hipocrisia originária se construiu nosso PAÍS.

Logo as terras foram distribuídas pela coroa portuguesa a seus nobres através das capitanias hereditárias. Dividiu-se o território brasileiro em várias faixas de terras e a propriedade das mesmas foram outorgadas aos amigos do rei.  Imaginem o absurdo de dividir o território continental, em 1530, em 14 porções de terra distribuídas  entre outro tanto de donatários. Vários nunca pisaram este solo, nem antes, nem depois. Este é outro processo hipócrita, a colonização.

Na falta de mão de  obra, já que o índio era preguiçoso, indolente e fugia da escravidão (isso aprendíamos nas escolas), foram trazidos os negros escravos da Africa, pois eles eram acostumados a trabalhar e se submetiam passivamente ao cativeiro, outra hipocrisia aprendida da escola.

Segue a hipocrisia com coroa portuguesa que,  praticamente refém da Inglaterra, foge de Napoleão,  e abre os portos e riquezas da colônia para os ingleses.

Vem a independência  em uma farsa encenada por D. Pedro, seguramente muito bem assessorado também pelos ingleses, para se adiantar a um processo que se tornara inevitável.  Seguem as guerras pela manutenção da unidade do Império, com massacres de brasileiros em guerras apresentadas como campanhas gloriosas e heroicas. Nos livros escolares, nossas guerras são lindas, basta ver a Guerra do Paraguai.  Hipocrisia.

Posteriormente vem a maior das hipocrisias, a abolição da escravidão, deixando a população negra desamparada e sem compensação nenhuma por seus sofrimentos, espoliação e degredo.

Depois veio a república, vieram as disputas políticas, as imigrações, conquista do Acre, Contestado, Canudos, Coluna Prestes, ditadura de Getúlio. intentona, sublevações até o golpe militar de 64, mais de 21 anos de ditadura e depois a nova república. Até muito recentemente nas escolas, para as crianças, o Brasil era apresentado como um País generoso e pacífico. Mentira maior não há.

Sempre tivemos uma elite cínica, perversa, falsa, cuja caricatura mais autêntica é a famosa figura do coronel do interior. Pessoa gentil e amável com os seus, submissa aos superiores e extremamente dura, vingativa e cruel aos que lhes ousavam desafiar. Seguramente há muitos remanescentes destas figuras no cenário atual. 

Com tudo isso, chegamos também ao fim da ditadura militar em um processo hipócrita e negociado, onde os militares deixaram o poder, sem prestar contas e foi realizada uma anistia também hipócrita, que demorou mais de 30 anos para reparar parcialmente suas vítimas, mas perdoou crimes de tortura, assassinatos, desaparecimentos, crimes contra a humanidade, cometidos pela repressão. Bem que se tentou uma Comissão da Verdade, que tratou de trazer a luz tudo que sucedeu. No entanto, rapidamente os fatos saem do noticiário e os registros ficam no esquecimento dos arquivos. Isso faz parte da hipocrisia nacional.

Tudo isso que relembro, de forma um tanto desordenada, serve para chegar aos nossos tempos, onde alguma coisa começa a mudar.

Não há dúvida que o processo de conquista da democracia brasileira teve origem na luta de resistência contra a ditadura, tendo os setores populares e os trabalhadores, particularmente os trabalhadores de São Paulo, exercido um papel destacado.

Neste processo, surgiu um líder operário pragmático, com ideia fixa de chegar ao poder. Ele foi a expressão do movimento dos metalúrgicos de São Paulo e polo aglutinador da formação do Partido dos Trabalhadores. LULA persistiu na organização do partido e na luta por conquistar o Governo durante mais de 30 anos. O PT cresceu liderado por LULA. 

Como Presidente, LULA seguiu e manteve sua postura pragmática,  implantou políticas públicas de inserção social e econômica que mudaram a vida de milhões de pessoas. Mais de 30 milhões de pessoas foram incorporadas à economia, retiradas da violenta exclusão que hipocritamente era velada. Adotou políticas de combate à fome, que era cotidiana em todo o País, particularmente no Nordeste.

 Enquanto a crise financeira de 2008 se generalizava em todo mundo, o Brasil mantinha seu dinamismo econômico. LULA usou de políticas de estímulo ao consumo e à produção, evitando que o Brasil mergulhasse na crise mundial.

A política econômica e social dos governos do PT - de LULA e de Dilma - mudaram a face do Brasil e sua posição no mundo.
LULA, sem estudo, operário metalúrgico, nordestino ganhou o respeito do mundo e de grande parte do povo brasileiro. Dilma e o PT representavam a continuidade deste projeto. Projeto que, é bom aclarar, não é nada radical e proporcionou também muito lucro para o empresariado nacional e internacional que aqui atuam.

No entanto, para a elite, LULA representa o perigo da continuidade de políticas de empoderamento dos movimentos sociais e das camadas mais pobres da sociedade. Ele é subversivo, mesmo que não queira, por sua trajetória de vida. Se LULA, um retirante chegou aonde chegou, seu exemplo pode ser seguido pelos milhões de mulheres e homens deste País, que passam a ter cidadania e percebem que nossa história é outra. Percebem que nossa história é a história de uma elite dominante que manteve seu poder através da violência e hipocrisia, mas que foi construído pelos milhões de índios marginalizados e assassinados, pelos negros submetidos à escravidão, pelos tripulantes das galeras que aqui chegaram, pelos migrantes de várias regiões do mundo... em suma pelos trabalhadores que nunca tiveram futuro.

Essa elite, em uma atitude hipócrita, em um sistema que sempre viveu na corrupção, acusou a Presidente Dilma, eleita por mais de 54 milhões de votos, de corrupta e, ao não conseguir provar nada, em uma grande encenação, inventa  umas tais pedaladas e, em um processo burlesco e fraudulento, dá um Golpe através de um impeachment vergonhoso e hipócrita.
Assumido o Governo interino, o Presidente Golpista Temer pratica as chamadas pedaladas, deixadas de ser crime pelo Congresso submisso e monta um ministério repleto de acusados dos mais variados crimes.

Rapidamente e com eficiência, o Governo Golpista passa a executar um programa elitista que trata de destruir todos os avanços conseguidos nos 13 anos de Governo do PT.
Congela as despesas orçamentárias federais por 20 anos, praticando um ajuste fiscal inédito. Praticamente o Governo se abdica de executar e avançar em políticas públicas. Obviamente isto não vai se manter devido aos conflitos que já está gerando na sociedade brasileira. Supostamente e hipocritamente, isto é tratado como necessário à estabilização e retomada do crescimento de nossa economia. É preciso destacar que as despesas financeiras, as destinadas a remunerar os rentistas, não foram afetadas. Estas sim, podem seguir crescendo.

Ao mesmo tempo, inúmeras outras áreas da economia brasileira estão sendo atacadas. As reservas de petróleo do Pré- Sal estão sendo vendidas a preços inferiores aos das bananas. Os projetos de privatização de empresas públicas, vendas de concessões e aberturas predatórias ao investimento  externo estão sendo efetuadas. 

A Previdência Pública está sendo destruída no intuído de privatização. O argumento é a proteção da aposentadoria futura dos trabalhadores. Grande hipocrisia. Com esta reforma cada dia a aposentadoria fica mais distante e suas condições serão mais precárias. Simplesmente os trabalhadores estão sendo roubados de seus direitos e, aqueles que conseguirem se aposentar, receberão valores irrisórios.

Também está em tramitação a Reforma Trabalhista que pretende destruir as conquistas dos trabalhadores da Consolidação das Leis do Trabalho vigente desde a época do Presidente Getúlio Vargas, implantada em 1º de maio de 1943. Hipocritamente se fala de uma modernização, o que na verdade é a perda de direitos.

Retrocessos como estes estão se verificando em várias áreas da vida nacional. Durante pouco mais de um ano, o Governo Temer tem se caracterizado pelo recrudescimento da repressão aos movimentos sociais, destacando-se o movimento dos sem terra, dos sem teto, indígenas, estudantes e movimentos populares em geral.

A oposição ao Governo Temer segue crescendo em toda a sociedade e para o ódio e desespero das elites, quem aparece com mais popularidade em todas as pesquisas a respeito de futuras eleições é o Presidente LULA.

Seguramente isto estimula a sanha com que as elites e seus representantes na mídia e no judiciário têm contra o LULA. Fala-se de combate à corrupção. Todos sabemos que a corrupção existiu e existe em toda a sociedade capitalista? Alguém ignora que os grandes negócios capitalistas, realizados pelos grandes conglomerados industriais e financeiros de todo o mundo funcionam lubrificados pela corrupção? Alguém ignora que o Brasil tem toda sua história regada pela mais deslavada corrupção e que isto segue prevalecendo nos dias de hoje? Se alguém tem alguma dúvida quanto a isso, ou não está consciente da realidade em que vive ou também está sendo hipócrita.

Isto não invalida a luta contra a corrupção. Penso que sim, ela deve ser feita constantemente  pela sociedade. No entanto deve ser uma luta baseada em princípios legais, sem subordinar-se a interesses, nem servindo de instrumento para atacar a determinadas tendências políticas e proteger a outras.

Todos estamos conscientes da grande farsa montada neste País. Sabemos que LULA está na berlinda e é alvo de uma campanha orquestrada. O fato que não consigam provar nada contra ele acirra o ódio que lhe devotam seus adversários. Seguramente ficam indignados com a facilidade com que aparecem fatos comprovados de falcatruas e tenebrosas transações, com provas abundantes, em relação a todos eles.

LULA se mantém  firme negando como falsas as declarações que buscam incriminá-lo e desafia a quem quer que seja que comprove as acusações que lhe são feitas. Insistem no sítio, no pedalinho, na barquinha de lata e no triplex de Guarujá e hipocritamente se esquecem da evidência de corrupções de políticos da elite, com apartamentos em Paris, fazendas, aeroportos, metrôs, merendas escolares, Apaes e helicópteros com cocaína, só para dar alguns exemplos. Isso é hipocrisia pura.

Por tudo isso e muito mais que não alcanço descrever, é que venho manifestar meu apoio incondicional ao LULA.

Tenho certeza que o povo brasileiro apoia cada vez mais o LULA. Ele já não é o retirante que se tornou Presidente do Brasil. Ele é o símbolo vivo da emergência dos excluídos, dos trabalhadores do campo e da cidade, dos indígenas, das mulheres, dos negros, dos jovens no cenário da história brasileira, rompendo com a hipocrisia que tentou ocultar por mais de 500 anos a violência com que foi forjado nosso País. 

Para o desespero das elites, o Brasil nunca mais será o mesmo depois dos Governos do PT e de LULA. 

A roda da história não retrocede.

  

Comentários

  1. Grande Fenelon, excelente texto descritivo que aponta as causas, as injustiças (e as justiças) pelas quais todos nós apoiamos incondicionalmente LULA.

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