UM SONHO QUE PODE SE TORNAR REALIDADE
Luiz Fenelon
Economista Político
Apesar de todos os avanços da mobilização popular e da resistência ao GOLPE, sinto que vivemos uma etapa de perplexidade sobre o que está por vir. Excetuando umas poucas manifestações de iniciativa política de lideranças, o que predomina é uma sensação de expectativa no desenrolar dos fatos.
Fala-se muito o FORA TEMER, e pelos fatos ... isto já está próximo a acontecer.
Já estamos adiantando o FORA MAIA... inclusive levantando sua ficha corrida (mais adequada que curriculum, não?).
Apesar destes avanços as demandas que vejo são eleições gerais, nova constituinte e reforma política. No entanto, essas demandas e consignas não especificam quem, como e aonde queremos chegar...
Excetuando a direita, que minha intuição diz ter um gabinete estratégico, com cabeça no exterior e do qual a Globo News é porta voz privilegiada e a Globo e o PIG ramificações de difusão, não existe um objetivo definido e nem uma estratégia do lado da esquerda...nem sabemos bem o que é essa esquerda. Será que ela existe?
Vivemos um momento de perplexidade e de desmoronamento das instituições ditas republicanas.
O executivo está tomado por ratazanas. Temos um judiciário refém dos ratos... deve haver exceções, mas confesso desconhecer. E o Legislativo... nem se fala... com as devidas exceções, está composto de ratos, camundongos e animais peçonhentos, clientes das ratazanas.
Assim, vivemos um clima de esperar em um vazio politico. O sistema está ruindo e tudo indica que da poeira de sua demolição surgirá um novo protagonista.
Aparentemente não há nada preparado... No entanto, mesmo sem provas, mas com grande convicção - parodiando o garoto do PowerPoint - acredito firmemente que o GABINETE GOLPISTA, nas trevas tece sua alternativa estratégica.
E nós... que fazemos... Ligamos na Globo para esperar o que virá? Acompanhamos na GloboNews a construção da estratégia da direita liberal; ou buscamos construir nosso próprio caminho... ?
1 - O PRIMEIRO é saber quem somos nós...
Isso não parece ser muito difícil... nós somos todos que defendem um processo democrático, sincero e honesto, que se baseie na defesa de conquistas sociais e garanta a participação popular.
Por exclusão, somos todos aqueles que defendem a proteção aos trabalhadores e não apoiam as reformas liberais, defendem a previdência pública, defendem economia nacional e são contra a entrega do patrimônio público ao capital privado.
Na verdade somos contra a camarilha que tomou de assalto o poder e quer garantir a continuidade do saque de nossas riquezas.
2- O SEGUNDO, é mais difícil, se somos este conjunto de forças, como organizarmos a ocupação deste vazio político?
Muitas iniciativas estão sendo tomadas e é importante reconhecê-las. Na minha ignorância me abstenho de citar algumas, para não deixar a impressão de parcialidade.
Sinto ser necessário que todas as forças que já estão se organizando e mesmo as organizadas, chamem a uma urgente Conferência de Salvação Nacional, Frente Ampla Democrática, Frente de Resistência Democrática ou o nome que se queira dar, e tomem medidas imediatas de ocupar esse vazio político antes que forças globais o façam.
Alguma liderança expressiva deve puxar esta união, composta por figuras destacadas no cenário nacional... políticos, líderes, artistas, representantes de movimentos sociais, sindicais e religiosos. Mesmo frentes já organizadas deveriam participar.
3- Estas forças mobilizadas, em caráter nacional, deveriam definir uma plataforma emergencial para está transição que estamos vivendo. Isto teria que ser para agir agora... antes da queda do Temer... ou imediatamente após sua queda.
Sinto que sua tarefa básica deve ser a construção de um amplo processo democrático que garanta uma verdadeira democracia.
O alcance desta proposta não será o resultado de uma iniciativa de gabinete ou acadêmica. A única alternativa viável para o Brasil passa pelo respeito às aspirações e necessidades objetivas dos brasileiros.
Qualquer alternativa imposta unilateralmente, trará conflitos insolúveis. Creio mesmo que a estratégia Golpista toma em conta a geração de conflitos. No fundo, eles buscam conflitos, pois têm muito a ganhar com a quebra da relativa estabilidade e pacto nacional conseguido com a Constituinte de 1988.
Concluindo... esse "movimento" de salvação nacional deve ser dotado de força organizativa que garanta a transição democrática.
Os golpistas estão se apropriando de bilhões do patrimônio público para financiar seu staff golpista. Nós temos que construir uma alternativa... e não há muito tempo. Nossa omissão ou fracasso terá um preço demasiado alto para as gerações futuras.
Espero com otimismo que propostas deste tipo gerem uma corrente de iniciativas, culminando na consolidação de um processo democrático. Sigo teimoso com fé nas utopias.
Vamos em frente!
Com a palavra nossas lideranças.

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