HOJE é UM DIA MUITO ESPECIAL
Brasília, 9 de outubro
de 2017
LUIZ FENELON
Hoje é um dia muito especial para
mim. Hoje é o dia em que nasceu o seu Murillo, meu pai. Lembro detalhes de sua
presença em incontáveis momentos de minha vida.
Nascido em 9 de outubro de 1913,
meu pai foi um homem de seu tempo, que buscava ter o pé no chão e raízes
sólidas, mas ensaiava altos voos, literalmente. Em sua vida profissional ele
buscou segurança em uma carreira com amplo mercado na época, foi contador.
Buscou a segurança do funcionalismo do Banco do Brasil onde fez carreira.
Durante muitos anos foi gerente e inaugurava ou saneava agências do Banco. Pelo
menos é o que me lembro.
Uma vez perguntei-lhe por que não havia enriquecido
como alguns gerentes de bancos do interior onde vivíamos. Com um sorriso
amarelo ele disse-me; “Esquece filho,
depois você vai entender”. Contador e acho que meio cri-cri, ele chegou a
ser inspetor da SUMOC, onde, mais do que amizades ele colecionava desafetos
entre banqueiros. Depois de participar na estruturação do Banco Central, nos
inícios de Brasília, ele recusou integrar-se aos quadros do BC, por acatar a
vontade de minha mãe e família, de não querer sair de Minas Gerais. Brasília
era um fim de mundo e uma aventura muito radical na época.
Mas estes são aspectos
secundários de sua vida. Considero mais importantes sua fé espírita e
participação ativa nos centros kardecistas; o fato de ter sido piloto de avião
(teco-teco como chamávamos); também foi rádio amador, para comunicar-se quem
sabe com quem e principalmente um exímio flautista, apesar da asma que padecia.
Participou da maçonaria, da qual não falava muito. Muitas outras coisas eu
poderia falar de meu pai. Carinhoso à sua maneira e esforçado em proteger suas
filhas e seu filho. Neste aspecto teve sucesso relativo, pois eu, um filho
rebelde, para seu desespero, nos anos sessenta comecei a participar de
movimentos estudantis, com a consequente perseguição característica da época.
Decepcionado com suas incursões
pela iniciativa privada, realizadas depois de aposentado, cursou direito, mas
não se adaptou ao exercício da profissão. Refugiou-se na leitura, da qual
sempre foi adepto e, como acostumava dizer, viajava em seus livros, sem sair de
casa. Hoje não sei se ele era uma pessoa meditativa ou um tanto depressiva, mas
não há dúvida que a alegria que netos e netas lhe proporcionavam alimentava a
chama de sua vida.
Tenho muitas saudades de meu pai
e a certeza de tudo o que carrego de bom na vida, tem em muito sua
participação.
Ele era um homem admirável.
(colocado no blog em 24/10/2017

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