HOMENAGEM AO CHE
Brasília, 9 de outubro de 2017
Luiz Fenelon
Várias têm sido as homenagens ao CHE, agora, passados 50 anos de sua morte. Já não é preciso falar do comandante para trazê-lo ao conhecimento público. Sua obra, sua determinação e disposição de luta pela libertação dos povos é universalmente conhecida. Verdade que não faltam os deturpadores da história, que enaltecem a Cuba de Batista, defendem os ataques e o bloqueio criminoso contra o povo cubano, que dura mais de 57 anos. Para estes, o Che é a personificação do mal... com razão temem até sua memória e o exemplo que ele pode incutir à juventude.
Mas não quero falar das homenagens atuais, quero lembrar de uma singela homenagem que alguns estudantes, entre eles eu, com idade em torno dos 18 anos, prestamos ao comandante, no ano de 1968; ano das grandes lutas estudantis e do famigerado AI 5. Não me lembro quem nem como, conseguiu um disco, daqueles pequenos da época, com canções sobre o CHE. Reunimos uma turminha de uns sete, conseguimos um toca-disco portátil e fomos para a pensão onde alguns de nós vivíamos, escutar as canções e realizar nossa homenagem.
Lembro até hoje como ficamos emocionados, escutando baixinho, com o quarto fechado para não chamar a atenção. Quase não conversávamos, simplesmente ouvíamos e tentávamos imaginar a luta do comandante. Nos tocou mais profundamente a canção COMANDANTE CHE GUEVARA de CARLOS PUELA. Não é demais dizer que vivíamos a canção. Era um exemplo a seguir e não estávamos sós. Sabíamos que centenas, talvez milhares de companheiros no Brasil seguiriam o exemplo de luta do CHE. Vários, inclusive seguiram firmes até a morte na luta contra a Ditadura. Não tenho dúvida que a conquista da democracia e dos avanços democráticos, conseguidos nos anos posteriores, tiveram muito a ver com o resultado desta juventude que lutou decididamente com todas as suas forças para construir um mundo novo.
Como tudo na vida é um eterno pulsar e movimento, nos primeiros anos depois do AI 5 parecia que a Ditadura militar era forte e invencível. A luta popular incansável e sem regras pré-estabelecidas foi pouco a pouco minando o regime. Foram as lutas contra a tortura, as lutas pela anistia, as lutas contra a repressão, os desaparecimentos e assassinatos, as lutas contra o arrocho, as lutas pelas diretas já e várias outras, que acumularam forças e desaguaram no processo da Constituição de 1988 e em um Brasil Democrático (cheio de falhas e problemas, mas democrático).
Hoje o novo Golpe e o aniversário da morte da morte do CHE me fazem lembrar daquela pequena homenagem clandestina, escondida em um quarto de pensão. Hoje ainda podemos homenagear o CHE de forma livre, relativamente sem temores, apesar das nuvens que escurecem o céu da democracia.
Que o CHE sirva de exemplo para a juventude de hoje resistir pela democracia e que nunca mais tenha que reunir-se escondida temendo a violência da repressão.
https://www.youtube.com/watch?v=I1g-MyOSAPE&feature=share

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