O NOVO BRASIL COLONIA
Brasília, 14 de outubro de 2017
Luiz Fenelon
O que aconteceu no Brasil não foi
a penas a derrubada do governo democraticamente eleito, de Dilma Roussef. Tudo
leva a crer que foi um ataque planejado internacional e nacionalmente, durante
muitos anos, por representantes de grandes fortunas , contra os governos
progressistas do PT, que cuidava da situação interna do Pais, atendia às
necessidades de vários segmentos sociais mais desprotegidos e estava levando o
Brasil a um desenvolvimento. Foi um Golpe que obedeceu a interesses muito bem
definidos e teve uma dinâmica correspondente a muitos golpes perpetrados em
outras partes do mundo. Basta pesquisar um pouquinho.
O filme Snowden mostra muito bem
como operam setores de inteligência nos Estados Unidos, com departamentos
especializados em vários países ou regiões do mundo, para espionar, conspirar e
mesmo executar operações de guerra. As guerras hoje não se restringem aos
campos de batalha. Ou melhor, os campos de batalha das atuais guerras tem
tentáculos espalhados em várias regiões, não ficando limitados ao terreno
geográfico. E não se trata apenas dos Estados Unidos. Existem grupos
articulados que têm interesse no Brasil, com ramificações no interior do País.
São os grupos diretamente no Governo, outros que ficam em segundo plano ou
retaguarda, além do aparelhados nas diversas instituições da República. Nisso
incluímos a mídia, com destaque especial para a Globo que, além do papel que
joga na dominação ideológica da população, desempenho o papel de porta-voz e
articuladora do comando do Golpe através das reportagens dirigidas da
Globonews. Nos momentos mais dramáticos de nossa conjuntura, a cobertura da
Globonews era detalhada e praticamente orientava as atividades dos golpistas.
Ela divulga o que quer, segundo seus interesses. Se as manifestações são de seu
interesse, a divulgação era ampla e tendenciosa. Caso contrário, as
manifestações nem constavam do noticiário, por mais relevantes que fossem.
Tudo indica que ELES têm uma
estratégia definida. Uma estratégia com um objetivo definido. O objetivo, sem
dúvida é tornar o Brasil uma nova colônia. O objetivo é apropriar-se de todo o
tipo de riqueza brasileira. Isto fica muito claro se vemos o orçamento do
Governo Federal, apesar dele não representar a totalidade de nossas riquezas.
Ele fizeram uma estratégia global. Primeiro, para onde vai o dinheiro? Para o
sistema financeiro, pagamento da dívida brasileira. Primeira medida que
tomaram, congelaram todas as despesas do Governo por 20 anos, deixando só
liberado o pagamento da dívida pública. Assim garantem que haverá dinheiro para
o pagamento da dívida. Só pode aumentar as despesas com o sistema financeiro,
as outras despesas se mantém congeladas em seu valor real durante 20 anos. È
lógico, para Deputados, Senadores, Judiciário, Polícias e despesas militares,
eles dão um jeito. Arrocham outras despesas e fazem que sobre algum para estes
reajustes. Sempre tem um jeito. A lei é para cumprir o que interessa.
O segundo maior item
orçamentário, no valor de mais de 500 bilhões, é a previdência. Este é o
segundo objetivo a ser atacado com a tal da Reforma da Previdência. É simples,
os trabalhadores continuam contribuindo e se acaba a aposentadoria e os
benefícios. Para ampliar o saque dos recursos dos trabalhadores, já que não
mais terão aposentadoria pública, empresas privadas abrirão novos planos de
aposentadoria para tirar dinheiro dos trabalhadores.
Depois, vem o orçamento da
educação e da saúde. São as terceiras e quartas maiores funções orçamentárias.
Não é novidade nenhuma que estão querendo privatizar a educação, estão cortando
recursos das universidades públicas, estão restringindo o PROUNI, acabando com
o FIES, estão querendo acabar com os Institutos Federais de Ensino Técnico. Vão
fomentar as escolas privadas e deixar para a escola pública, o que restar vais
ser assim como uma distração para os setores mais pobres. Aprender somar,
dividi (talvez nem a isso cheguem), um pouquinho de português e fazer de conta
que estudam. Será fomentada a preguiça e o baixo esforço intelectual. Na saúde,
acontecerá algo parecido. O SUS tenderá a acabar, tudo passará à saúde privada
e serão criados planos de saúde de baixo custo, onde o trabalhador será
engabelado, vai pagar uma mensalidade reduzida, mas na hora que tiver
necessidade de atenção médica, terá que pagar novamente, caso queira ser
atendido.
Isso sem falar nas outras coisas,
que são as riquezas brasileiras. O petróleo já está sendo entregue a preço de
bananas. Aliais, nem a preço de banana. O minério de ferro já é vendio em
vagões, praticamente como terra bruta, milhões de toneladas. Vocês acham que
eles estão vendendo ali é minério de ferro? Estão vendendo é ouro, é nióbio, um
montão de outros minérios e talvez até pedras preciosas. Aquele mineral todo
transportado nos vagões, vão ser exportados. Chegando no exterior eles serão
separados. Mas o preço pago aqui foi mais barato que de banana, mais barato do
que aterro. Se vendesse o lixo, talvez o preço seria maior que o desse “minério
de ferro”.
Isso mostra que ELES têm uma estratégia. Quem são ELES?
Nós precisamos saber, precisamos ter esse mapa. Qual a estratégia deles? O que
estão fazendo? O que querem? Qual o modelo que eles estão impondo para a
sociedade brasileira? Nós estamos virando uma colônia, mas uma colônia das
piores possíveis, onde a metrópole não tem nenhuma obrigação. Estamos sendo
reduzidos a um território tomado por forças de ocupação. Território de guerra,
que foi tomado. Eles têm essa estratégia. Quem são eles, qual realmente seu
objetivo estratégico? Precisamos saber.
O pior de tudo é que não sabemos
quem somos nós. Quem somos nós que estamos do outro lado? Quem somos nós que
vamos ou já estamos sofrendo com isso? Que somos nós, que somos o alvo deles?
Isto nós não sabemos. Muitos de nós, do que se chama de classe média da
população chega a pensar que são eles que vão ganhar com essa porcaria toda. E
nós mesmos, nos dividimos entre nós e sabemos fazer o que? Sabemos fazer
proclamas, escrever, protestar, fazer manifestações, que agora estão se
enfraquecendo, mas não sabemos exatamente quem somos, não temos uma estratégia
definida, não temos uma liderança que nos conduza com essa estratégia, para um
objetivo concreto e bem definido. Estamos sem saber o que fazer.
Ficamos isolados, em nossas
crises existenciais nos perguntando o que fazer e como nos posicionar nessa
transição, sentido individualmente a crise.
Essa é a situação.

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