FICÇÃO II - LISARB
Brasília, 8 de novembro de 2017
Luiz Fenelon
Retomando do capítulo passado...
Como era a continuidade dos
seriados dos anos 50s? Alguém se lembra? Era emocionante.
Toda a sexta feira, no Cine
Popular em Divinópolis, tinha o seriado. Imperdível. Era Flash Gordon, Zorro,
Super Homem, Tarzan, Lanceiros de Bengala. Como nós torcíamos e gritávamos
quando a cavalaria ligeira chegava para matar os índios que cercavam os pobres
colonos brancos! Achávamos uma beleza ver os índios morrendo. O mesmo acontecia
com os Lanceiros de Bengala, comandados pelos ingleses, em algum país remoto,
matando nativos... ou os franceses da Legião Estrangeiras, no deserto do
Sahara, matando os ferozes beduínos que os atacavam. Era uma diversão enorme
ver os mocinhos, tão bons, arrancarem a cabeça dos selvagens. Se alguém duvida,
é só pesquisar. Assim eram os filmes para criança naquela época. Lições
didáticas da história ocidental.
Bem, voltando ao assunto da
Ficção I, a ÍNFIMA MINORIA decidiu que seu alvo “prioritário” no momento seria
o fantástico país chamado LISARB.
Antes tinham debatido muito sobre
a conjuntura internacional e haviam decidido tomar providências. O que
caracteriza essa ÍNFIMA MINORIA é sua assertividade, seu foco e agressividade,
com ênfase total nos resultados...
Ela havia ficado muito
decepcionada ao tomar conhecimento que pesquisas, da conceituada instituição da
ARRETALGNI - uma tal de MAFXO - que tinha constatado: 8 homens detinham a
riqueza equivalente aos recursos disponíveis à metade da população mais pobre
da ARRET.
Alguns até pensaram em abandonar
suas atividades e mudar para IABUD ou para OCAMON para
seguir gozando de suas fortunas. Foram desestimulados pelos assessores, que os
convenceram: “o jogo devE continuar” A
vida era um jogo e eles deviam ser otimistas, pois o fato de 3,6 bilhões de
pessoas possuírem o mesmo que eles, não era um resultado ruim, não era uma
humilhação. Deviam ver o copo meio cheio e não menos vazio. Se fizessem um
pouco de esforço, logo deteriam a riqueza correspondente a 3/4 da população.
Quem sabe um dia deteriam sozinhos a riqueza de mais de 7 bilhões de
habitantes. Além do mais, IABUD, OCAMON e qualquer local privilegiado da ARRET
estaria sempre à disposição deles, já que eles eram os proprietários.
Tranquilizados, para tratar de
problemas como este, decidiram reunir-se anualmente em um Fórum Especial, FÓRUM
DE SOVAD e traçar uma estratégia geral de acumulação de capital. Não vou entrar
nestes detalhes agora, mas o certo é que eles e os seus compinchas, aqueles que
estão nas “classes médias”, e se dedicam profissionalmente o por diletantismo a
apoiar a ÍNFIMA MINORIA, decidiram montar um staff, um gabinete de assessores
técnicos (bonita a palavra técnico – ela exime de responsabilidades, já que não
é política) encarregados da situação. Resumindo, eles estudaram o globo OEUQARRET
e chegaram à conclusão que ainda havia várias oportunidades de ampliação dos
campos de atividade do capital no mundo. Era só questão de definir prioridades.
Lógico que teriam que enfrentar
oposições, pois os territórios estavam ocupados e, em alguns lugares, os
nativos eram muito selvagens e agressivos, o que elevava os custos de
dominação. Um estagiário, neto de uma eminência, citou como exemplo o EUQARI,
onde o domínio das reservas petrolíferas, conquistadas há mais de 27 anos,
tinham custado mais de um milhão de vidas e a destruição do País, imerso em uma
guerra sem fim.
No entanto ele foi logo
contestado por um assessor sénior de larga experiência.
_ “Entendo que, em seu entusiasmo de iniciante, você cite a morte de
milhões de nativos e que a destruição do EUQARI e a guerra, sejam negativas.
Mas sejamos otimistas, nesta guerra morreram poucos dos nossos (e os que
morreram, na sua maior parte eram negros, mestiços, latinos ou migrantes – e
não se esqueçam, muitos eram mercenários, seres desprezíveis). A maioria que morreu
é uma população sobrante de nativos radicais, nossos inimigos. A morte deles, foi
benéfica para nós e reduziu a concorrência de uma mão de obra extremamente
barata. A destruição do País também pode ser vista com otimismo, pois
representa um novo canteiro de obras, onde aplicaremos nossos investimentos,
faremos empréstimos e aumentaremos nossos lucros. Quanto à guerra, você quer
produto mais rentável que as armas? A cada tiro dado, é novo cartucho que
vendemos, a cada tanque destruído, é novo tanque que vendemos... e vendemos, se
possível, para os dois lados... é o que chamamos negócio redondo. Não venha com
chorumelas humanitárias, deixe-as para as campanhas eleitorais. ”
Então, com a conclusão que todos
os espaços da ARRET já estavam ocupados, decidiram fazer um levantamento de
onde haveria possibilidade de uma reocupação. Verificaram rapidamente que havia
uma parte do planeta que ainda tinha grandes espaços, muita riqueza, populações
gentis e cordatas, que se encontravam domesticadas por dominações violentas e
possivelmente cooperariam com a ÍNFIMA MINORIA, desde que fossem submetidas a
um profundo processo de esclarecimento e persuasão.
Optaram recentemente por dominar
um país detentor de uma das maiores reservas de petróleo da região. A ALEUZENEV . No entanto, apesar de ganharem a
cooperação de grande parte da população local, outra parte, dirigida por um
militar louco e rebelde, resistiu tenazmente, e o que seria para ser um passeio,
tornou-se um confronto que ainda persiste.
Felizmente para o grupo de
investidores da ÍNFIMA MINORIA, logo verificaram que havia ainda alguns países
promissores na região, mas o que mais chamou a atenção foi o LISARB.
Verificaram que era um país que acabava de descobrir grandes reservas de
petróleo no fundo do mar, e que haviam desenvolvido a tecnologia para explorá-lo.
Este país tinha um governo, fruto de eleições, que, apesar da atenção que dava
a maior parte de sua população, era alvo de intensa campanha de opositores...
opositores que tinham interesses compatíveis com a ÍNFIMA MINORIA. Suspeita-se
até que alguns dos habitantes deste país pudessem fazer parte dela. Mais tarde
poderemos averiguar.
O resultado foi que o staff da
ÍNFIMA MINORIA decidiu iniciar um processo de conquista do LISARB. Definiram
como objetivo estratégico a derrubada do Governo e instauração de um governo a
eles favorável. Não foi difícil identificar setores da ÍNFIMA MINORIA que tinham
interesses e contatos com setores políticos daquele país.
O primeiro que fizeram, pelo
menos é o que consta, nomearam uma embaixadora especialista em derrubar
governos. Coincidência ou não, supomos que ela deve ter feito um longo e hábil
trabalho de articulação política das forças opositoras.
Qual foi a estratégia usada para
derrubar o governo de LISARB? Como se estruturou o Golpe ao governo legítimo? Com
que forças contaram os conspiradores? Como puderam conquistar a opinião pública
indo contra o voto e interesses da maioria da população do País?
O golpe será exitoso?
Não perca o próximo capítulo.
População pobre no Quênia, um dos países com maior desigualdade no mundo. PABLO TOSCO/OXFAM INTERMÓN

Comentários
Postar um comentário