POR QUE PARTICIPAR DE UMA FRENTE AMPLA?
A QUEM CORRESPONDA
Brasília, 17 de novembro de
2017.
Luiz
Fenelon
Como é de conhecimento geral e
agora até reconhecido pelos golpistas, em 2016 houve um GOLPE político no
Brasil que retirou do Governo uma Presidente legitimamente eleita. Não vou
entrar em detalhes sobre o Golpe e sobre o papel exercido pela mídia, a
covardia e cumplicidade do judiciário e o papel vergonhoso da maioria dos
congressistas. Também, no momento, não é o caso de mencionar o setor financeiro,
o empresariado industrial e agrário que apoiou e incentivou o Golpe. Sabemos
que parte do funcionalismo público, particularmente o de maiores salários e
mesmo os integrantes da empresas públicas e autarquias, apoiaram o Golpe com
entusiasmo.
A resistência coube aos
movimentos sociais, a personalidades democráticas, aos partidos de origem
popular e parte do movimento sindical. Apesar de grandes mobilizações, que
muitas vezes superaram as manifestações dos golpistas, que não eram boicotadas
descaradamente pelas mídias, o Congresso e o Judiciário seguiram firmes a
agenda do Golpe. Com a saída da Presidente do Palácio, mesmo antes de sua
destituição, o interino procedeu a desmontar o Governo e todas as suas
políticas sociais de atenção à pobreza e de espaço para os movimentos sociais.
Entre as medidas mais evidentes,
estão, o congelamento real das despesas públicas por vinte anos, excetuando os
encargos financeiros, ou pagamento das dívidas, a reforma trabalhista e fim da
CLT (seria mais adequado chamar de DEFORMA), a deforma da Previdência, a
mudança na educação , a privatização acelerada das estatais, a entrega da base
de Alcântara aos Estados Unidos, a abertura total da venda de terras a
estrangeiros e a entrega de recursos estratégicos a preços simbólicos e
irrisórios, para as grandes petroleiras. Muitas outras coisas caracterizam o
caráter nefasto deste desgoverno, como por exemplo a compra de votos descarada
no Congresso, o primeiro escalão integrado por acusados de crimes com fartura
de provas, inclusive o interino, o machismo, o preconceito, etc. etc.
No entanto, o que vem
caracterizando a essência deste GOLPE é a implantação no País de um modelo
neocolonial de terra arrasada, onde grupos internos e externos, de meliantes
associados, querem nos impor um País retrógado, eliminando todos os direitos
conquistados desde os anos trinta, ou talvez anteriores, praticamente
reimplantando a escravidão no campo ou até nas cidades.
Neste modelo que está sendo
implantado, estão sendo excluídos os interesses dos trabalhadores, que perdem
direitos trabalhistas e aposentadorias, os interesses das mulheres que
avançavam em uma política de igualdade, os movimentos negros e quilombolas, que
estão sendo negados por um governo de índole racista, os movimentos indígenas,
que estão ameaçados em seus direitos pela terra, os aposentados que têm
ameaçados seus direitos, os jovens que estão ameaçados ao desemprego e
subemprego, aos estudantes, com a ameaça de sucateamento das universidades
públicas, os artistas, com a volta da censura, os empresários, com a limitação do
mercado interno e a falta de incentivo, os pequenos produtores da agricultura
familiar, com a falta de incentivo e financiamento.
Em suma, está sendo implantado um
modelo neoliberal onde 90% da população não é considerada. É um modelo que
trata de extrair de forma drástica os recursos da grande maioria da população
para destiná-los ao grupinho dominante, de uma burguesia predatória associada,
de composição mista, interna e externamente.
Na verdade, é um assalto ao
conjunto da população brasileira.
Este é o modelo econômico,
político, social, cultural e ideológico que está sendo imposto. É um modelo
integrado e corresponde a uma estratégia definida, que está sendo aplicada
descaradamente.
Não é teoria da conspiração. É a
conspiração em sua totalidade, imposta cinicamente.
Diante deste fato, que nos resta
fazer?
Ao longo deste ano, a população
vem resistindo a ataques a frentes específicos e as categorias sociais tem
defendido seus interesses pontualmente. Inclusive o governo recuou em alguns
setores, como a abertura de reservas da Amazônia à exploração (RENCA) e não
está conseguindo a adesão parlamentar à deforma da Previdência no ritmo que
pretendia. A resistência tem levado o desgoverno golpista a níveis de rejeição
absolutos.
Mas isso não tem sido suficiente para
deter as medidas impopulares que são tomadas diariamente pelo desgoverno e nem
evitado o clima crescente de crise e conflito que assusta nossa sociedade.
É preciso dar um basta nessa
situação e preparar-nos para impedir a consolidação deste modelo impopular,
concentrador de renda, desrespeitoso com a maioria da população e ladrão das
riquezas nacionais.
As lutas localizadas e
específicas não têm surtido efeito. É necessário a união de esforços e focar
todas nossas energias em mostrar o
caráter ilegítimo deste governo. Mostrar para cada setor e segmento como
não terão espaço para subsistir caso este modelo se consolide. Esse é o
primeiro passo.
Neste processo, devemos unir
todos os setores democráticos, na construção de um modelo alternativo e em uma FRENTE AMPLA de luta por uma NOVA DEMOCRACIA, por uma verdadeira
democracia, uma democracia da qual todos possamos participar em toda a nossa
plenitude e ter nossos direitos reconhecidos.
Uma FRENTE que se autoconstrua e se auto represente, sem
ingerências externas vindas de onde for. Que as decisões da FRENTE sejam debatidas democraticamente
e seu Programa Mínimo seja
consensual ou decidido em votações transparentes. Que ela represente de forma
inequívoca o interesse dos movimentos sociais, dos partidos democráticos, de
líderes nacionais e personalidades e de outras frentes já existentes.
Essa FRENTE deve ter uma proposta imediata de luta, para constituir a
resistência democrática, participar da luta eleitoral e ter uma perspectiva de
continuidade.

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