CHOQUE DE REALIDADE
(Diante da dureza da realidade, a primeira coisa que temos que fazer é
projetar nossos sonhos e lutar para que se concretizem.)

Brasília, 19 de dezembro de 2017.
Luiz Fenelon

Hoje acordei com a triste notícia da aprovação pelo Congresso da Argentina, da Reforma da Previdência daquele país. Reforma que tira direitos de 17 milhões de trabalhadores e aposentados. A notícia é mais triste ainda porque nos dias anteriores estava sendo alimentada a esperança de vitória da resistência, pois o povo argentino saiu às ruas massivamente e lutou com enorme valentia. Pelas fotos víamos a resistência e determinação de jovens, homens e mulheres e também idosos e idosas enfrentando uma polícia fortemente armada. Até o exército (Força Nacional) foi mobilizado para conter a multidão.

No entanto, em suposta manobra legal, um parlamento corrupto e comprado, além de covarde, votou na calada da noite, (como se costuma dizer ao subterfúgio dos covardes) nesta madrugada do dia 19 e aprovou a famigerada reforma. Deputados de oposição resistiram, mas a maioria foi a favor. Segundo o “Clarin”, foram 128 votos a favor e 116 contra, com 2 abstenções. A reforma afetará DIRETAMENTE 17 milhões de pessoas, ou seja, praticamente afetará a todos os 42 milhões de argentinos.
A derrota desta batalha me leva a algumas questões.

Primeiro, que foi uma batalha momentaneamente vencida. Mas quem venceu e por que? Segundo, quais batalhas seguirão? Quais as estratégias dos protagonistas deste embate?  Terceiro, qual a lição que NÓS, brasileiros podemos tirar disso?

Dizem, não sei exatamente quem, (pode ter sido Sun Tzu, Clausewtz, Lenin, Trotsky, Mao, Giap Kissinger ou Gene Sharp) que: ”A política é a GUERRA sem armas e a GUERRA é a POLÍTICA armada.”

  Vocês já perceberam que, em qualquer país do mundo, por mais pobre que seja, a polícia é praticamente igual, bem equipada, com armamento moderno antidistúrbios, fardamento e equipamento especiais, botas, capacetes, escudos e viaturas especializadas. Seria interessante saber quem são os fabricantes e como foram financiadas, por nossas dívidas, através do Banco Mundial, FMI, Banco Interamericano, etc. Durante os ajustes fiscais, faltam recursos para tudo, menos para a repressão.

A política é guerra, pois seu objetivo é submeter a vontade do adversário, obviamente para apropriar-se de sua riqueza. Aqui no Brasil e na América Latina, estamos (o conjunto da população) sendo expropriados através de uma ocupação de território, por uma força integrada por uma associação de dirigentes externos e externos, que atua sem dar diretamente as caras, através da mídia nacional e internacional, de políticos mercenários comprados, do judiciário cúmplice, forças militares e setores manipulados da opinião pública.

Sem dúvida, essa não é uma teoria da conspiração. É a conspiração colocada em prática. No Brasil, aparentemente as instituições “democráticas” seguem funcionando, apesar do impeachment ocorrido. Uma quadrilha no poder, claramente apoiada pelo judiciário é a operadora da estratégia das forças de ocupação de nosso território. Não sabemos exatamente qual é o quartel general dos Golpistas. Pela experiência do Golpe anterior (de 1964), daqui uns 30 anos teremos documentos que comprovarão todas as operações ocorridas nessa guerra.

Mas, se pelo lado das forças de ocupação, que, para simplificar, podemos chamar de ELES, vivemos a imposição de uma política/guerra, com uma ESTRATÉGIA DEFINIDA, por outro, temos o nosso lado, que podemos chamar de NÓS, uma força dispersa, indefinida e que ainda não se conhece. NÓS não temos uma identidade definida. Alguém pode dizer: “Errado, Lula é o inimigo, o PT é o inimigo, os partidos de esquerda são os inimigos, o MST, o MTST, a CUT e várias outras organizações são o inimigo”.
Certo. Para a estratégia DELES, todas estas forças e organizações e seus líderes, além de muitas outras, são seus inimigos.

Mas, para NÓS, que estamos do lado de todas estas forças e dos movimentos sociais, não existe a consciência clara e homogênea desta política que estamos sofrendo, de suas consequências, de quem são os interessados em sua aplicação e quem são os prejudicados. Não conhecemos a ESTRATÉGIA que está sendo aplicada. LULA, sabe que é o alvo principal desta ESTRATÉGIA e sabe que o OBJETIVO é acabar com ele. No PT, cada vez é maior a consciência da política/guerra a que está submetido e de que também é um alvo visado, mas mesmo nele, tudo indica que não existe uma concepção homogênea. Nas organizações citadas, também sucede o mesmo. Há setores em que predomina a consciência do momento vivido e em outros, o momento vivido impede a consciência da essência dos acontecimentos.

Obviamente a situação é muito mais complexa. Em geral tratamos de viver uma política de resistência, utilizando instituições ocupadas. Estamos no estágio da POLÍTICA. Política espontânea de resistência, sem estratégia de médio e longo prazo, sem forças medianamente organizadas e sem dinheiro.

ELES, (o comando inimigo – a intenção é individualizar), estão no estágio de POLÍTICA/GUERRA. Segundo a conveniência, atuam tanto através de meios políticos pacíficos institucionais, como apelam para forças repressoras judiciais e policiais, além de usarem frequentemente forças paramilitares e jagunços. Sendo necessário, apelam para a violência armada do estado que se encontra sob o seu comando.

NÓS não temos condições de resistir com armas, de transformar essa POLÍTICA em uma GUERRA.
ELES possuem a força militar e detêm o privilégio da violência, ademais de não terem ética e nem escrúpulos.

No entanto, NÓS temos forças potenciais infinitamente superiores às DELES.
Temos a luta incessante por nossa identidade, que se remonta à colonização. Temos a força das histórias das lutas sociais que conquistaram os direitos que ELES nos querem roubar. Temos a imensa maioria da população que será prejudicada pelas medidas que ELES estão implantando à força. E a força DELES depende inteiramente de NÓS.

Falta-nos a consciência da GUERRA a que estamos submetidos. Falta a consciência de quem realmente somo NÓS (somos todos que estão sendo espoliados e não têm lugar no modelo econômico que nos está sendo imposto). Falta criarmos, da mesma maneira que ELES fizeram uma ESTRATÉGIA GERAL de longo prazo, que possa nos unir e dar direção às nossas lutas. Falta-nos o FOCO e o sentido do momento. Da mesma maneira que ELES utilizam as instituições formais e possuem recursos financeiros para suas operações, NÓS temos que viabilizar nossas organizações, criar uma FRENTE ÚNICA, criar comitês de luta e articular com os movimentos sociais, para que atuemos de acordo à nossa ESTRATÉGIA GERAL.

Ou as distintas organizações e movimentos sociais se unem em uma ESTRATÉGIA GERAL, elaborada com a participação de todos, ou serão inevitavelmente derrotadas e não terão espaço no modelo social/político/econômico que ELES estão nos impondo.

Temos a opção de ficar esperando para ver ou apoiar a resistência que se anuncia, tratando de reforçar a organização com comitês populares, estruturação de uma Frente de Resistência Unida e criar a ESTRATEGIA GERAL que una todas as organizações sociais, os movimentos chamados de minoria e a população em geral, para a resistência e luta, por uma VERDADEIRA DEMOCRACIA que revogue todos os atos do desgoverno, nocivos aos brasileiros e desestruturadores de nossa Nação.

Hoje quem dá a pauta de luta são ELES. No xadrez que está sendo jogado, ELES moveram suas peças e nos impuseram a data de 24 de janeiro para atacar o que ELES consideram seu inimigo fundamental, o LULA. Pensam que neste julgamento, condenando o LULA, nos darão xeque e que nas eleições de 2018 (caso haja eleições), nos darão xeque-mate.

Independentemente de partidos e preferências ELES tornaram o LULA símbolo de nossa luta.

Vamos todos defender o LULA em Porto Alegre no dia 24.


TODOS SOMOS LULA!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog