EXISTE UMA ALTERNATIVA ECONÔMICA PARA O ATUAL GOVERNO?

Em termo estritamente econômicos, fazendo abstração de todas a circunstâncias e contexto histórico, a proposta que ela faz, segundo suas próprias afirmações: “. É um acordo muito simples se houver responsabilidade e civismo das partes para levar a proposta à frente.”
No decorrer do artigo ela mostra a inconsistência econômica das propostas de retomada de crescimento que estão sendo levadas a cabo pelo atual governo.

Segundo ela, o capital financeiro e o agronegócio não capazes de alavancar o crescimento, pois sua contribuição para a formação e capital fixo é insuficiente. O capital financeiro porque vive de sugar a produção e o emprego e o agronegócio por ter, através das importações e exportações um peso de apenas 6% na formação do PIB brasileiro.

O Brasil caminha para fechar a década com o pior desempenho econômico em 120 anos. A construção pesada deve cair 40% nos últimos 5 anos, a indústria cai para o menor nível de sua história na participação do PIB, obras estão paradas e a precarização da mão de obra, entre desempregados e subempregados chega a 40 milhões de pessoas. Ela já identifica um desastre nacional.

E, qual a receita aplicada pelo atual governo, para sair do desastre? Ajuste fiscal rígido, corte de gastos e privatizações, tentando estimular o investimento privado. Parecem querer estancar hemorragia, realizando uma sangria. Que alento terá a iniciativa privada em aplicar em uma economia francamente em recessão. Recessão provocada pelo governo, que, quanto mais aprofundada, mais desestimula os investimentos.

Qual a saída preconizada pela professora?

Em função da falta de perspectiva de crescimento da demanda, ela propõe um pacto pelo investimento e o emprego. Não querendo afetar radicalmente a atual política econômica do Governo, ela propõe uma atenuação das medidas de privatização, destinando, dos resultados das mesmas que se espera de 1,25 trilhões de reais, 50% para novos investimentos governamentais (R$ 625 bilhões). Recomenda que os investimentos sejam feitos basicamente em infraestrutura, para estimular a demanda. Também recomenda a revisão da Emenda do Teto de Gastos e que seja retomado o papel do BNDS de “Banco da Infraestrutura”, como estimulador do investimento.

A professora chega a mencionar que os recursos gerados pelos 50% das privatizações, que ela sugerem sirva para estimular o investimento, corresponderão a 50% de nossas reservas cambiais.
Conclui seu artigo conclamando: “as classes trabalhadora, produtiva e política, os militares, a tecnoburocracia responsável e as organizações da sociedade civil” para um movimento de salvação da economia.

Para simplificar ainda mais e seguindo a linha de raciocínio da Professora, pergunto por que não podemos usar as reservas de divisas, deixadas em um nível recorde de U$370 bilhões de dólares, pelos governos do PT, para alavancar a economia, afastando o País da crise, por meio de uma política econômica que tenha o estado como indutor do crescimento?  Nem precisaríamos de privatização... as reservas estão aí, disponíveis.

Ah, dirão os economistas neoliberais, injetando esses recursos na economia, teríamos uma inflação crescente. Mas não será o mesmo, privatizando?

Ah... seguirão dizendo, as privatizações devem ser destinadas ao pagamento de dívidas, redução dos déficits...   Mas isso não será pior? Vendemos nosso patrimônio (a preços de banana), pagamos juros e depois nos endividamos de novo para adquirir produtos e serviços que antes produzíamos.
Esses argumentos sobre a impossibilidade de usar as reservas são totalmente falsos. Nunca nossas reservas estiveram tão altas como agora. Elas saltaram de um patamar de menos de U$50 bilhões de dólares, para mais de U$370 bilhões ou, aproximadamente R$1,50 trilhões.

As reservas brasileiras foram utilizadas várias vezes para garantir créditos internacionais. Na época de Sarney, chegou a praticamente esgotar-se (nas séries do Banco Central aparece no ano de 1986 no valor de U$ 6,76 bilhões, sendo que em 1984 estava em praticamente U$12 bi (pouco menos que 50% foram usadas para estabilizar a economia). Durante o Governo de FHC as reservas, que estavam em quase U$ 39 bi em 1994, chegaram a mais de U$ 60 bi em 1996, para logo cair a U$ 33 bi em 2000 devido às medidas tomadas para estabilizar a moeda. Quase 50% das reservas foram utilizadas no Governo de FHC de forma duvidosa, inclusive provocando alguns escândalos e processos judiciais, como no caso de Chico Lopes, que herdou a crise de Gustavo Loyola, ambos presidentes do Banco Central. 

Durante os anos dos Governos do PT, as reservas cresceram de, aproximadamente US$ 40 em 2003, a US$ 370 bi a 2016 (os números anuais não correspondem às variações mensais das reservas). Resulta totalmente falso dizer que Dilma entregou um Governo quebrado financeiramente. Nunca as reservas brasileiras estiveram tão elevadas. Seria como dizer que você está falido, com uma dívida de R$100.000,00, tendo na poupança um depósito de R$1.500.000,00. É uma insanidade.

O não uso das reservas por parte do Governo do PT, seguramente não ocorreu, por ele ter sido vítima ter sido vítima de chantagens financeiras internacionais e nacionais. Seria importante que isso fosse esclarecido. Atualmente o Governo Bolsonaro cogita, talvez com aval internacional, usar as reservas acumuladas para “salvar” a economia. Seria mais correto dizer que a usarão para financiar a alienação do patrimônio público do povo brasileiro em favor dos capitalistas estrangeiros e seus sócios internos.
Sinto que a crise persistirá com os ajustes propostos e a situação da população brasileira ficará mais precária.

Apesar da admiração e respeito pela Professora Maria da Conceição Tavares, considero um equívoco dar alternativas a este Governo espúrio, que assumiu através de fraude e que tem, como único plano destruir a economia brasileira, entregar nossas riquezas e fomentar o ódio.

 Por tudo que foi exposto, podemos concluir que a crise, mais que econômica, é política. Mesmo que as propostas de alternativas de políticas econômicas estivesse corretas, o objetivo do atual Governo é impor o neocapitalismo extremo, e não duvido que, em sua estratégia queiram provocar conflitos e realmente destruir o País.

Luiz Fenelon
14/10/2019

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog